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Transição para a ISO IEC 17025:2017 – a utilização da incerteza da medição em avaliações de conformidade

As medições, na maioria dos casos, não são um fim em si, mas fornecem os meios para tomar decisões objectivas, por exemplo avaliar se um produto está em conformidade com determinados requisitos ou se um conjunto de medidas difere significativamente de outro.homem

 

A nova versão da ISO IEC 17025:2017 refere que sempre que um laboratório forneça uma declaração de conformidade a uma especificação ou norma, deve documentar a regra de decisão utilizada, considerando o nível de risco (tal como falsa aceitação e falsa rejeição e pressupostos estatísticos) associado à regra de decisão empregada, e aplicar a regra de decisão (7.8.6.1).

 

Mas o que é então a regra de decisão? Trata-se da regra que descreve como a incerteza da medição é considerada ao declarar a conformidade com um requisito especificado, tendo em conta um nível aceitável de probabilidade de tomar uma decisão errada.

Os requisitos tipicamente tomam a forma de um ou dois limites de tolerância, que definem um intervalo de valores permissíveis, chamado intervalo de tolerância, de uma propriedade mensurável do produto. Se o valor verdadeiro da propriedade se encontrar dentro do intervalo de tolerância, diz-se ser conforme ou, caso contrário, não conforme.

 

No entanto, sendo impossível conhecer o valor verdadeiro de uma propriedade mensurável sem uma dada incerteza associada, há sempre o risco de incorrectamente decidir se um produto está ou não em conformidade com uma exigência especificada, se apenas se basear no valor medido. Essas decisões incorrectas são de dois tipos: um produto aceite como conforme pode na realidade ser não conforme, e um produto rejeitado como não conforme pode na realidade estar conforme o requisito especificado.

 

Decisões incorrectas podem conduzir a uma série de consequências, com riscos e custos associados quer para o produtor quer para o consumidor: um produtor pode ser obrigado, por exemplo, a refazer um produto ou a rejeitar matéria-prima desnecessariamente; um cliente pode tomar decisões com premissas erradas (por exemplo, valores sobrestimados ou subestimados) ou adquirir um produto com mau desempenho. Decisões incorrectas na avaliação da conformidade podem inclusivamente levar a litígios legais.

 

De acordo com a ISO IEC 17025:2017 quando o cliente solicitar uma declaração de conformidade a uma especificação ou norma, a regra de decisão seleccionada deve ser a priori comunicada e acordada com o cliente, a não ser que a regra de decisão seja inerente à norma ou especificação solicitada (7.1.3).

A ISO IEC 17025:2017 refere ainda que a declaração de conformidade deve identificar claramente a) a que resultados se aplica a declaração de conformidade; b) as especificações, normas ou partes das mesmas que são cumpridas ou não cumpridas; c) a regra de decisão aplicada (a menos que esta seja inerente à especificação ou norma solicitada (7.8.6.2).

No próximo dia 9 de Novembro 2018 a AIM promove em Lisboa um WORKSHOP SOBRE A UTILIZAÇÃO DA INCERTEZA DA MEDIÇÃO EM AVALIAÇÕES DE CONFORMIDADE onde serão dados a conhecer os critérios internacionalmente aceites para avaliação da conformidade de produtos, considerando a incerteza da medição dos parâmetros delimitados na especificação ou legislação. As metodologias de avaliação da conformidade apresentadas permitem um controlo do risco de decisões erradas sobre a conformidade dos produtos.

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